Miguel Ângelo

Quem sou eu

quarta-feira, setembro 26, 2007


Choram por dentro, de fora,
P'ra fora do peito que cabe no estreito coração de Luísa.
Descalça ela sobe de saia estendida,
de cara lavada,
cabeça erguida,
cabelo que voa,
ruas de Lisboa cafés de cristal.
Roubam por dentro e por fora,
Pra fora do jeito que cabe no peito de Luísa.
Calçada ela dança, balança e alcança o fresco do sol.
Demora na loja,
corpinho de soja que traz alimento
aos pombos da rua.
Agradam por dentro, por fora e p'ra fora do mar de Luísa.
São peixes de aquário,
são imaginário,
são do mostruário de conchas partidas.
Luísa nada,
beijos na almofada e sorrisos de lã.


Perdidas na vida,
as conhas partidas...


Luísa nada. No mar entranhada...
Miguel Ângelo

sábado, setembro 01, 2007



Peguei nos fios do teu pensamento e foi difícil tecer.
Esbates o volume,
Consegues afundar os montes na imensidão dos teus enleies,
Alimentas de palha as agulhas que te desejam,
Picas-te.
Ouviste o rasgar
Quando apenas seria uma fricção espontânea,
Pedi uma sombra mais larga e tu estendeste as copas até te tornares a manta mais sufocante.

As traças em ti não reclamam solidão.

Voas muito perto das tuas cores,
Cortas a respiração aos suspiros da imaginação.
Pedras no teu bolso que deixas ficar,
A intenção torna-se o teu lugar.
Miguel Ângelo